segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
ando sentindo saudade e não sei dizer quanto. quanto o espaço concede nesse tempo de deslocamento obstruído? e mesmo que eu diga, nunca parecerá pleno quanto sentir o cheiro no abraço, seguir a mesma linha de raciocínio, dividir da mesma garrafa, o mesmo cigarro. e não adianta falar, falar e falar, dissertando randomicamente sobre tudo que poderíamos ter feito nessa noite, e dos filmes que poderíamos ter visto, os sons que poderíamos ter feito, dos estáticos olhares a contar estrelas que poderíamos ter tido, o simples pensar que posso te ligar, já conforta meu querer te ver.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
primeiro passo
venha
me dê teu primeiro passo
me envolva nesse teu abraço
que não me atrevo em te beijar
venha
que em mim enferruja a ousadia
compartilhe a doce magia
de poder dividir o seu ar
venha
com seu doce ver adolescente
logo tu a expandir minha mente
logo eu, tão vivido me achava
venha
que te quero afogado em hormônios
afagar tua cabeça em meus ombros
e fazer o teu mundo acalmar
me dê teu primeiro passo
me envolva nesse teu abraço
que não me atrevo em te beijar
venha
que em mim enferruja a ousadia
compartilhe a doce magia
de poder dividir o seu ar
venha
com seu doce ver adolescente
logo tu a expandir minha mente
logo eu, tão vivido me achava
venha
que te quero afogado em hormônios
afagar tua cabeça em meus ombros
e fazer o teu mundo acalmar
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
amar antes
só não me prenda nesses olhos castanhos se não me quer
já não são suficientes as deixas
dicas e premissas que deixo estampadas pelos sorrisos sem graça
as mensagens de exagerada amizade e admiração
de me pegar te observando quando não olhas?
mas não vou falar nada, vou deixar você bater à minha porta.
não é preguiça, entenda
somente aquela vergonha que nos prende quando vamos ficando velhos
vergonha de sentir
de se interessar
de bater à porta
sabes meu caminho
meus contatos
onde me reúno com a galera.
sabes das palavras que gosto
dos sons que me acalmam
e esse sorriso que prende meus olhos aos seus.
só não me mastigue sem querer engolir
não me morda sem querer me provar
não me olhe assim sem querer me beijar
pois assim me faz refém
na imensidão do seu olhar adolescente.
domingo, 18 de julho de 2010
nada é novo, tudo é corrente, como a minha vergonha dos pés. desço correndo as ruas para chegar até você mais rápido, mas tenho medo de ultrapassar os seus sinais. logo eu, até então o descolado cara moderno, subindo a ladeira com uma caixa de bombons na mão e um pedido de compromisso sério ensaiado. fico mastigando você dizendo sobre o almoço, repensando toda a trajetória, por que tudo aqui é tão complicado? desisto.
vejo tudo indo para o lugar certo, e isso me dá medo. vejo seus movimentos milimetricamente assimilados e repaginados, alivio meu mal estar por não ser tão incoerente com o que sinto e falo. volto com o sorriso da certeza do laço dado, mas guardo os bombons no porta-luvas para não perder o topete.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
aos anjos
eu vejo a realidade frente a frente todos os dias. me aparece dura, lisa, uniforme e implacável. olho a realidade cara a cara todo dia, dura, lisa, uniforme. sorrio para ela a cada ato, como que com um formão, todos os dias, arrancando lascas de seu corpo liso, teso, implacável. com os anos, fui aprendendo a remoldá-la todo dia, cuspindo vontades, arrancando lascas, afundando o formão na superfície dura, lisa, remoldável, vulnerável, fria e implacável.
jogo as fagulhas da realidade e as disponho sob meus pés, recontando histórias das minhas escolhas desconexas, remontando as excêntricas histórias que não gosto de repetir, que meus amigos riem ou calam-se ao lembrar, as que conto aos quatro ventos, que confesso em bilhetinhos amassados e nas sessões de psicoterapia. todo dia encarando, lascando, recolhendo, remontando, remoldando e recontando a realidade dura, fria, nua, vulnerável, frágil, vã, tesa e implacável realidade.
as peças lascadas hoje as guardo, saquinhos de veludo violeta armazenam as delirantes histórias que não seriam realidade se não fossem comigo. todos os dias, ponho-me a separar seus saquinhos, frágeis pedaços de tecido violeta onde guardo as memórias que esqueci todos os dias e noites onde fiz apagar com a borracha para más memórias tudo aquilo que tenho que expor para aprender a viver com elas.
por favor, querido leitor específico, dos anjos, alcance a chave que guardo hoje em algum lugar que foi bagunçado por todos esses que entraram, saíram, ficaram usaram, fizeram reorganizar tudo de sua própria forma, fazendo não saber mais nem como sou, nem como deveria ser. onde está a maldita chave?!?!?!?!?!?!
onde está a minha chave?
onde estão os meus livros?
onde está meu princípio? e meu fim?
onde guardo minhas memórias, fundamentos, razões e reais vontades?
será que não sei mais arrumar????
quinta-feira, 3 de junho de 2010
oração à lua minguante
escrito sob a lua do dia 02-05-2010 e dedicado à eloísa, que sem querer, me fez olhar de novo para a lua
hoje a lua murcha aos poucos. deixa de gozar da plenitude do céu de outono, perdendo sua luz de noite a noite, até mostrar sua face negra. leva, no fim de seu ciclo, toda frustração que possamos carregar; os desejos que nunca alcançamos, eternos, variados, afagando nosso pesar com seu alívio.
eu procuro jogar na noite onde brilha torta, incompleta, carrega-la do que não quero para mim. sopro no vento frio aquilo que carreguei por tanto tempo e que hoje vejo ser somente excesso de bagagem. leve lua, velha anciã que resgata meu alívio, me traz a leveza de seu brilho prata, purpurina da minha noite sem fantasia, traga a mim toda sabedoria da mãe velha que viu a roda girar desde que as almas ancestrais habitaram a terra, encoraje-me a lutar cada dia, aflora em mim seu lado mais cauteloso, conhecedor do desenrolar dos fatos. flua em mim, faça de mim leve como as folhas de outono, concentrado como o olhar da coruja, o mais sábio entre meus inimigos, e proteja-me por ti protegido, me faça filho e semelhante por toda minha jornada.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
i can't believe what you said to me
when i told you i was a lie
you've made a hardcore
with my lullaby
lullaby
and i can't believe
how you've looked at me
when i've shown myself so insecure
my bad instinct and
my wrong behavior
took me where i am not so sure
can you fix me if i break
and is my drunk line a safe place
now i take care of myself
not being somebody else for you
being somebody else
somebody
now i'll keep my mental health
not being somebody else for you
being somebody else
somebody
i can't believe
how i've changed myself
just to fit in your fuckin' pattern
you're not my lover
or even father
or father
and i can't believe how you took your finger
right behind my crossed eyes
but now i'll show you
that i don't need it
or anybody else to fly
and now i see the fun i've left behind
for just a silly game that i have tried
not to play but now
the pieces of our friend
falls apart all around
and after all the beers and the drugs
i've used with you
can you give it all up?
can we give it all up to use
and after all the boys
that i have kissed to bother you
can i give it all up
can we give it all up
if i promise boy to you
that i'll never lie again
and i'll never play again
and i'll never hear your songs
or even talk along
i won't pretend again
quinta-feira, 6 de maio de 2010
papo no gramado
mais uma tarde de espera. à espera da cliente atrasada, da ligação não retornada, da conseqüência do que me dizem por aí, mas mesmo assim eu preciso manter o foco pelo menos até o fim do dia, que é quando deixarei todas as armas e deitarei naquela grama verde do meu sonho distante, onde o cheiro de erva fresca queimando na fogueira domina o ar leve e fresco da paisagem bucólica. no céu, os diamantes grudados no9 negro cetim da noite brilham de dentro pra fora da minha alma, refração de milhões de cores numa só, fazendo minha visão turvar morna, as lágrimas escorrem felizes enquanto aquece quase que instantaneamente todas as partes dos meus três corpos.
sinto as nuvens chocando-se umas contra as outras, pesando em chuvas que formam cascatas toda a força da noite em pleno vapor, aqueles risos aditivados que vinham nem lembro mais de onde e a falta de pudores em rasgar todos os véus somente para saciar a vontade de ver além fazia com que nós, do escuro desconhecido e dessa distância do chão, desse lisérgico deserto onde vemos tanta gente que de nada existem, tropecemos uns nos outros, vendados pelos vapores escuros e por essa alegria tão naturalmente despertada quando os agentes de sabor do meu marlboro azul.
e mais uma vez nos perdemos em nossos próprios problemas, dissertando sobre quem deve receber mais atenção , de quem nem sabe da nossa história, nem entende o que se quer dizer quando nos aproximamos, e que certamente entende melhor que todos vocês juntos o que acontece entre cada vez que nos olhamos de perto.
talvez hoje eu até mesmo tente embrulhar a culpa, jogá-la na fogueira, e até mesmo fingir que sinto seu peso, já que tudo muda tanto o tempo todo que as variáveis já são constantes no nosso modo de ver as coisas. mas eu já não copio esse movimento ingrato de levantar o dedo para julgar os outros quando, só por achar alguém que concorde com você, acha que seus atos não deverão passar pela tribuna do juízo final. ter que deixar as coisas acontecerem é só mais uma forma de análise, pois essa posição passiva já é demais cansativa para me deixar de hiato durante meses.
e sabe, parando assim para analisar mais de perto os fatos, as coisas já não vêm mais se encaixando da forma que deveria, ou como costumava ser, ou melhor ainda como ainda costumava ser quando estávamos com essas vendas de vapor escuro, cada dia mais pesada venda, mais fortemente amarrada contra nossos olhos, , nossos chackras, nossas emoções. dá vontade de gritar às vezes bem alto em alto e bom som mais alto das auto induções que criamos a varias mãos e não percebemos que a verdade já se esgarçou a tal ponto que as suas tramas se confundem dentro da mesma caixa que hoje jogo no incinerador como forma de parar de analisar sentimentos que me cansam mais que.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
veja bem meu bem, as minhas pegadas ainda estão naquela parte da praia que costumávamos sentar, noite após noite, esperando o sol nascer, totalmente entorpecidos em tudo. a mensagem que costumávamos ler na mesa da praça continua rabiscada por cima do liquid paper continua visível em seus erros de português, e o número que ligávamos toda sexta feira continua o mesmo. ninguém mexeu em nada do cenário, em nada das vias expressas, em nada do movimento marginal. o que foi destruído é exatamente o que não se mostra, que você deixou claro que não mexeria em você, e fez questão de mexer em mim. deixo na sua caixa de correio as contas das noites que passamos juntos, os históricos que denunciam nossa má conduta e aquela coisa morna e ingênua que você fez questão de desgastar.
carol don't lie
hoje, quando o silêncio parou por completo, meu quarto parecia brasa. as fichas se espalhavam pelo chão, os cartões sobre a mesa, o pó sobre tudo. o vento sopra e o silêncio se espalha, faz voar todas as palavras e as batidas da música que não toca os ouvidos. as fotos me olham de rabo de olho, esperando a reação dos meus impulsos mais que nervosos. tudo parado, e o silêncio a soprar as ruas apinhadas de gente, a festa de bairro, os inferninhos da lapa. alguém diz que o som volta a rondar as pedras do arpoador, mas nada ouço além das fotos queimadas sopradas sobre o chão e dos cartões sendo batidos sobre a mesa cheia de pó.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
confessional II
a maior objeção que tenho a fazer é sobre o momento. não que eu esperasse durar para sempre, não é isso. o que acontece é toda a cena que antecede o fim. talvez eu até tenha, por alguns instantes, idealizado várias coisas sobre você, mas só por instantes, pois você sempre fez questão de destruir qualquer imagem equivocada mostrando exatamente como a coisa funcionava em você. e eu estava em pleno processo de compreenção quando a linha foi cortada.
nunca foquei naquelas coisas que poderiam fazer não dar certo, mas sempre fiz questão de me concentrar no que me encanta, no que me faz preso. eu sei que uma avalanche de fatos soterrou sua bem intencionada tentativa, mas nunca me detive nessas míseras pedrinhas. não que o passado não seja tão importante assim, mas a cena que precede os últimos fatos foi tão especial, e eu me sentia tão feliz... não sei hoje como deixar isso passar.
o fato é que, até mais que os furtivos beijos de despedida e os carinhos roubados enquanto as ruas estavam desertas, sinto mesmo é falta da sua presença nos momentos mais triviais do nosso cotidiano. quantas vezes até mesmo você sentia vontade de me ligar antes de pedir o macarrão? mas este desejo já não era maior que o seu, nem tão grande quanto o meu, medo de pegar o telefone. e quantas vezes também eu, como você, me apavorava em ver aquele nome no visor do celular?
e até agora, toda essa bobagem leva a um universo de incertezas por onde ir qual caminho devo pegar seu gato mesmo sem ter certeza de onde quero chegar. mas infelizmente, hoje não tem você pra me ajudar a nos encontrar no mapa.
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