texto sem acentuacao por problemas tecnicos.
ha oito anos, tudo novo, tudo acontecendo e ebulindo. ha oito anos nasci da casca do meu cocoon. quebrei a crosta e pus os bicos e as asas para comecar um desajeitado voo, que os ventos maldosos insistiam em dificultar. batiam sobre mim como pedradas que hoje nao doiriam, como beijos que nunca foram dados. ha oito anos, eu descobri a verdade do tocar.
ha oito anos, meus dedos tateavam as trancas, forcavam as ranhuras querendo abrir. percorriam cada detalhe para lutar contra aquilo que e crescer, e eu sangrava na pele fina, gritava de odio, e muito cuspi em todos por cada dia, e muitos me cuspiram quando passavam, achando que suas correntes seriam mais leves, menos impiedosas, seus fardos seriam perdoados. nao adianta, no fim, todos nos vemos que nao.
hoje estou aqui, batendo em quem bateu, livre de um cordao que, um dia, achou que teria a forca contra sentimentos tempestuosos. garanto que, com a liberdade da lingua, foi mais facil se ver livre da dura e incorrompivel carapaca adolescente.