sábado, 26 de julho de 2008

relatos do hiatus [i]pt. 1[/i]

passo as tardes catando pensamentos randômicos que nunca me vieram, mas que nesses dias me fazem refém. me prendem na memória de grades enferrujadas e cordões umbilicais, telefonemas e blocos de carnaval, dividem minha mente entre paz e descaso.
e o pensar descansa, diminui suas atividades assim que começo a alisar os fios do ofício, fazendo olhos fecharem de relaxamneto e egos inflarem de surpresa. e o pensar, outrora acíclico, parece adotar a ordinária rotina da massa. tornei-me linear?
por esses dias fechados em que peço um drink no deserto, redesenho a rotina aparando as pontas furam o que sentiria, regurgitando frases sem sentido que só meu quarto reverbera, tateando no escuro o ouvido do único amigo que me é suficiente.
é nesse aglomerado de tardes que tudo para mim se faz caro, sem paciência para dias vazios de coração, esperando engolir meses em poucos minutos para lançar no universo toda a impaciência que juntei nos bolsos e compulsões acumuladas no cartão de crédito.
mas em breve, logo em breve, gritarei seu nome como quem chama seus assassinos para o último impacto, e lançarei de novo todo ócio criativo dos meus dezoito anos.