quinta-feira, 3 de junho de 2010

oração à lua minguante

escrito sob a lua do dia 02-05-2010 e dedicado à eloísa, que sem querer, me fez olhar de novo para a lua

hoje a lua murcha aos poucos. deixa de gozar da plenitude do céu de outono, perdendo sua luz de noite a noite, até mostrar sua face negra. leva, no fim de seu ciclo, toda frustração que possamos carregar; os desejos que nunca alcançamos, eternos, variados, afagando nosso pesar com seu alívio.
eu procuro jogar na noite onde brilha torta, incompleta, carrega-la do que não quero para mim. sopro no vento frio aquilo que carreguei por tanto tempo e que hoje vejo ser somente excesso de bagagem. leve lua, velha anciã que resgata meu alívio, me traz a leveza de seu brilho prata, purpurina da minha noite sem fantasia, traga a mim toda sabedoria da mãe velha que viu a roda girar desde que as almas ancestrais habitaram a terra, encoraje-me a lutar cada dia, aflora em mim seu lado mais cauteloso, conhecedor do desenrolar dos fatos. flua em mim, faça de mim leve como as folhas de outono, concentrado como o olhar da coruja, o mais sábio entre meus inimigos, e proteja-me por ti protegido, me faça filho e semelhante por toda minha jornada.