segunda-feira, 18 de agosto de 2008

cocooning


texto sem acentuacao por problemas tecnicos.
ha oito anos, tudo novo, tudo acontecendo e ebulindo. ha oito anos nasci da casca do meu cocoon. quebrei a crosta e pus os bicos e as asas para comecar um desajeitado voo, que os ventos maldosos insistiam em dificultar. batiam sobre mim como pedradas que hoje nao doiriam, como beijos que nunca foram dados. ha oito anos, eu descobri a verdade do tocar.
ha oito anos, meus dedos tateavam as trancas, forcavam as ranhuras querendo abrir. percorriam cada detalhe para lutar contra aquilo que e crescer, e eu sangrava na pele fina, gritava de odio, e muito cuspi em todos por cada dia, e muitos me cuspiram quando passavam, achando que suas correntes seriam mais leves, menos impiedosas, seus fardos seriam perdoados. nao adianta, no fim, todos nos vemos que nao.
hoje estou aqui, batendo em quem bateu, livre de um cordao que, um dia, achou que teria a forca contra sentimentos tempestuosos. garanto que, com a liberdade da lingua, foi mais facil se ver livre da dura e incorrompivel carapaca adolescente.

sábado, 26 de julho de 2008

relatos do hiatus [i]pt. 1[/i]

passo as tardes catando pensamentos randômicos que nunca me vieram, mas que nesses dias me fazem refém. me prendem na memória de grades enferrujadas e cordões umbilicais, telefonemas e blocos de carnaval, dividem minha mente entre paz e descaso.
e o pensar descansa, diminui suas atividades assim que começo a alisar os fios do ofício, fazendo olhos fecharem de relaxamneto e egos inflarem de surpresa. e o pensar, outrora acíclico, parece adotar a ordinária rotina da massa. tornei-me linear?
por esses dias fechados em que peço um drink no deserto, redesenho a rotina aparando as pontas furam o que sentiria, regurgitando frases sem sentido que só meu quarto reverbera, tateando no escuro o ouvido do único amigo que me é suficiente.
é nesse aglomerado de tardes que tudo para mim se faz caro, sem paciência para dias vazios de coração, esperando engolir meses em poucos minutos para lançar no universo toda a impaciência que juntei nos bolsos e compulsões acumuladas no cartão de crédito.
mas em breve, logo em breve, gritarei seu nome como quem chama seus assassinos para o último impacto, e lançarei de novo todo ócio criativo dos meus dezoito anos.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

a bailarina

enquanto todos dizem quem sou, vou sendo quem quero ser o tempo que der. pois ser mil onde não há pluralidade é privilégio de poucos. vou arrancando nesse baile, todas as máscaras que criamos pra bailarina, esquecendo que seu par também se despe enquanto rodopia. sobre a pista que desliza, baila a grande troca de personas, como o virar de páginas em contos surreais. Vai se transformando naquilo que eles têm medo, transportando pra longe seus portos indecifráveis criados em você.
vá narrativa! vá guiando para longe toda gota de esperança em retorcer minha imagem como na cabeceira de quem mal vejo daqui do palco. troque meus plurais por uma ímpar idéia, singularidade artificial que impoem convenientemente sobre a lente.
ninguém viu que a bailarina, boneca de pano animada por seu par, olha frouxamente para o horizonte da platéia, com seu retorcido sorriso lateral, como que zombando da inocente platéia, que acredita ser ela a principal peça desse baile ficcional.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

partida

desculpe se fugi
se virei as costas sem rumo
é que uma noite você soprou areia
e eu virei tempertade no deserto

desculpa se sumi
levando meias e escova de dentes
é que um dia você foi sereia
e eu não quis ver o fundo do mar de perto

não segure os meus pés que soltam do chão
não procure pelas árvores pedaços da minha roupa
não me ache em outras conversas
estou fugindo de suas orelhas

desculpa se voei
levando praias e cantos escuros
mas antes de ser cura, fui ferida
e desacostumei a incomodar

desculpa se pedi
para mudar o que não lhe cabia
mas é difícil estar num canto quieto
sem você por perto

não segure os meus pés que soltam do chão
não procure pelas árvores pedaços da minha roupa
não me ache em outras conversas
estou fugindo de suas orelhas

não me ache em outras conversas
naõ estou
mais
aqui

quarta-feira, 16 de abril de 2008

não esperava te encontrar aqui. procurava outros moldes, outros traços, contornos diferenciados. não imaginava te achar assim, na próxima esquina, quando eu menos esperava. fiquei com medo de olhar nos teus olhos pela primeira vez que fui abraçado. e ainda tenho medo, dessas mãos que tocam e confortam, dessa brisa cálida de inverno que sopra quando sinto pairar sobre mim a dúvida e a saudade que, incrivelmente, hoje me perturba. e há menos de uma semana, tudo era tão de menos...

quarta-feira, 9 de abril de 2008

de ódio

hoje acordei pra vir falar com você
pedir pra tu me apagar da tua história
fazer o sapo engolir o teu nome
banir minha cadeira da tua escola

diga pros outros que eu nunca prestei
quando peguei na tua mão, tu cuspiu
quando teu olho me encontrou, se fechou
quando minha voz falou teu nome rugiu

tua verdade inventada já era
e o teu ás perdeu a marca do verso
quem te escuta ouve o inverso
reverso do teu mundo
que já não tá mais aqui

quarta-feira, 2 de abril de 2008

saudosismos

tenho saudade das flores, dos risos frouxos e da correria. dos olhos azuis que nunca esqueci, descobertos debaixo de uma mesa do jardim. dos amigos de infância feitos em minutos, correndo pelas areias da praia atrás de uma prancha decontrolada. lembro saudoso das pipas, das horas no video-game, dos primeiros esconderijos, todos tão fáceis de achar...
sinto saudade das calças rasgadas, do olhar mau de quem sofre por querer sofrer. dos primeiros tragos, as primeirass brigas com a mãe, as primeiras ocnfissões na internet. lembro das primeiras personagens, as músicas de adolescente, o peso da exclusão. sinto falta até mesmo de não ter nada.
tenho saudade das primeiras noites, os primeiros olhares e daquela sensação de olhar todo o corpo por dentro, ao mesmo tempo que subia a montanha russa. os primeiros porres, as primeiras investidas, os primeiros quilos a irem embora. sinto saudade até mesmo da cara inchada, das brigas comigo, da fome que sempre gostei de passar. até mesmo daquela primeira viagem hoje lembrei, e anotei no caderno algumas palavras soltas, só para dizer que naõ lembrei do que dizia.
e agora, fecho a tampa da caixa de um mundo que não é mais meu, quando após alguns minutos, senti saudade de estar em paz com meu mais antigo, problemático e amado hóspede.

segunda-feira, 31 de março de 2008

a calmaria

o trânsito é lento, os sons são mais baixos, as tardes mais mornas. o outono que veio com minha idade deixa cair lentamente as primeiras folhas. as unhas cresceram e os impulsos cairam, as paisagens ganharam um gostoso céu baunilha. descobri os toques que guardei no fundo do bolso, as conversas que não usei, as músicas que deixei de lado.
meu d'n'b agora é jazz, meus banhos são longos e mornos, minha praia tem céu azul e brisa forte. cada dia de um jeito, sob tudo que os deuses me deram.

quinta-feira, 20 de março de 2008

para o 22...

palavras estouram contra minha guarda, que por mais fechada, deixa respingar em mim tudo que não quero. gritos de não quero mais ecoam.
idéias que não permiti me brotam, mesmo adubando a terra com cal. arrependimentos batem sem som de passos.
o tempo meio que congela, entre o ato inicial até a compreensão, leva-se alguns segundos para processar. minutos que parecem horas, que tensionam o ar, congelam tudo que se mexe. não respira.
listas e nervosismos cobrem a mesa e a área de trabalho, roem unhas, afundam o gesso ainda fresco, deixam marca no piso encerado por onde quer que corra agoniado. as bitucas de cigarros amontoam-se sobre os móveis, em cinzeiros lotados, sobre papéis amassados, potinhos de iogurte.
e as palavras, o "não" confirmado, os amores de longe, tão incompreendidos e enraizados, quebram no meu peito esse delicado cálice de um dia pode ser.
quebram a vontade, mas deixam uma ponta de remorso em cada caco jogado sobre a madeira brilhosa do chão.

segunda-feira, 10 de março de 2008

grampo!

sintam-se livres para extender o texto nos comentários. =)

grampo!
me vejo medindo palavras
contando pirraças
aonde não tem
me vejo fingindo ser outro
um ledo engodo
não engano ninguém
me pego olhando seus olhos
nos albuns de fotos
que não vejo mais
falando seu nome no escuro
pra ver se em sussurro
eu te tenho em paz

te espero mesmo quando
meu passado te sufoca
ao telefone
ou em outras vias não convencionais

domingo, 24 de fevereiro de 2008

o tempo

não gosto de memórias. apago-as todas com minha borracha de apagar pensamentos. naõ gosto de planos. só antecipam aquilo que não existe ainda. não vejo o que se passa. simplesmente atropelo fatos e sigo meu caminho só. e só.
não gosto de passados. eles passam sem ao menos pedir licença. não gosto de futuros, que nunca anunciam sua chegada. de presente, só gosto daqueles que enfeitam minha estante e adornam meus pulsos e pescoço.
e de você, jamais gostei. apenas amei com toda intensidade o conceito que carregas entre os cabelos levemente dourados.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Sob o Céu

Apagarei meus pesadelos a lápis com uma borracha especial, incalculáveis efeitos colaterais. Vou passar a brisa por uma cabeça de agulha, reprimir e comprimir o vento, para que tudo gire para mim, tudo sopre em meu favor. vou pegar uma fita vermelha e amarrar um coração sem crina, sem rédeas ou arreios, e com a magia das antigas sábias, domesticar a fera sob a lua cheia.vou soprar as estrelas noCéu, redistribuindo-as conforme minha vontade. Vou mudar a cor das florestas e o fluxo das águas. Fiat lux. Sol azul turquesa. Quarenta graus. Verão? Renascimento. A roda mais uma vez dá à luz, mas só para os que conseguem iluminar-se.


Obrigado a Tamara, por guardar o texto para mim.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

no final, eu grito

amarrando em postes divido e distribuo, agressivamente, todo meu ódio. tentando despistar sua perseguição, atiro para trás sem olhar, para os lados como precaução, para frente para abrir caminho. bombas de insanidade eu jogo, desejando acertar a todos, inclusive a mim. explode em mil tons de vermelho, matizes de corres quentes para queimar o seu desejo de vir atrás, por mais que os caminhos sejam trocados para te perder. e os ancoradouros não param de sumir na névoa, cada dia mais turva pela falta de direção.
escalo montes que não sei onde dão, mas procuro subir com todo afinco e vontade que posso reunir. centenas de microesferas de água caem sobre minha cabeça e me afogam na tempestade de pensamentos aleatórios que costumava me fazer doente, e que hoje me movem para lugar algum, mais uma vez machucado pelos atos alheios.
tentando acender meu cigarro na chuva eu caio, mais uma vez, na tentação do impossível. por onde trilhar, mais uma vez não sei.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

atrás de ti

é muito fácil me encontrar pela sua vida, basta olhar na fresta da porta do seu quarto, enquanto troca de roupa ou cola sorrateiramente aquele chiclete atrás do armário. brinca que não me vê espiando suas sonecas, seus passeios pela cidade, suas barberagens no trânsito. mas sabe muito bem que assisto tudo de mais perto que imagina. sopro teu chapéu pra longe, só para te ver correndo feito bobo pelas ruas, e você finge não ouvir minha risada com olhar de pesar.
mas eu sempre estive aqui, e você finge que não vê meu nome gravado no identificador de chamadas, nos telegramas que te abarrotam, na caixa de emails já esquecida, guardando suas fotos todo dia revistas e as frases todo dia repassadas.
mas se não me queres, meu bem, não corra. olhe nos meus olhos e dê pelo menos o primeiro beijo, pois no instante que nossas peles descolarem, já saberei que é a hora do adeus.