sábado, 6 de outubro de 2007

rotina

saí de casa atrasado, ainda tentando, inutilmente, esconder os cabelos debaixo de uma touca, fechando a mochila e tentando me concentrar na caminhada. isso, estou numa fase saudável, e já que é pra ser saudável, pasei a fumar um cigarro de baixos teores. dez cigarros por dia. contados. sim.
mesmo no horário mais tranquilo da academia, eu consigo me enrolar. terceiro dia de malhação e minha série já havia sumido. talvez uma ducha me prepare para o dia. sim, agora malho, adoro, e fico muito mais bem humorado e disposto depois dos exercícios. bege? é.
o dia todo passando. aquela voz que não soa, aquela leitura que não flui, aquela música que não anima. a carranca que assusta. a programação da rede tv me assusta. e a tv fora do ar. e nem uma escova. uma merda.
primeira, segunda, terceira posição. ajusta o banco e o guidão. nunca, jamais com os joelhos desalinhados. cinqüenta minutos. minha respiração arde, minha bunda doi, e porra, eu tô com sede! tá queimando, força! amei!
mais uma história. porra, vai tentar me fazer de palhaço? ponho no cu mesmo. p.r.o.n.t.o.f.a.l.e.i.
ninguém sabe onde minha cabeça está, mas provavelmente meu espírito ainda tá fazendo spinning.

domingo, 22 de julho de 2007

recorte e cole



dormência, restos de noites sem sono. sabe quando os músculos pulam por excesso? bem isso. motivo? nenhum.


distância de um cheiro, de um ronronar, de pernas longas dando nó. e ninguém mais reclama que não coloquei água no prato sujo.


.não.tenho.uma.peça.de.roupa.na.casa.da.minha.mãe.para.sair. mesmo.


_essa banda é uma das nossas influências...

_mas eles têm outra influência senão o los hermanos? O_o


o puteiro ferve quando as putas são amigas. ainda tenho tanta bebida sem gastar nada, que fico de ressaca só de pensar que amanhã vou beber até cair desacordado. amém.


até que os olhos mudem de cor.

domingo, 15 de julho de 2007

pelos dutos


observe as calhas, curvam-se a cada tiquetaquear de gotas. acumulam poeira trazida pelo vento. guardam dentro de seus dutos uma história daqui e do outro lado da rua, do bairro, quem sabe do país? vai juntando, e perdendo detalhes, deformando conforme se pesa. cada junta já não é mais a mesma. olhe dentro das calhas, tudo aquilo que juntou de uma história de retalhos desconexos em sua mente, mas que faz uma lógica mecânica funcionar com uma maestria doentil. e observando o seu reflexo nos restos da chuva da noite passada, pode ver que perder o fio da meada pode ser tão fácil quanto perder a própria carteira dentro do seu quarto.

o que sai por meu gargalo hoje não é a metade da história, mas as sobras da noite passada. o que sai pela boca dos canos é o que não dá mais para segurar nas ranhuras impermeáveis. o que jorra e é guiado para as sargetas da praça é o que veio da sua camisinha usada, suja por alguém que nunca mais vi, do meu corpo suado por alguém tocado uma só vez, uma voz que nunca acordou nenhum de nós.

o que me transborda? os documentos que precisarei tirar nova via.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

na boca da latrina

por que as pessoas mais fortes são as que choram mais intensamente? porque nós jogamos tudo de uma vez, sem pensar na próxima rodada. tudo ao mesmo tempo é diferente de o mesmo tempo em tudo, e por isso algumas esperanças que eu havia construido desceram com a água do banho. algo estava fora de lugar alí.
e fui descendo, descendo, até encontrar-me à beira do mar. olhando tão distante quanto o horizonte, para redimir-me da espiritualidade exagerada. e livrei-me do excesso com outro, procurando vestígios de víceras entre os arbustos que balançavam. era tudo festa e topor, entrega para o nada, ou para o tudo, só pra ver até onde vai.
mas afinal, quem está preocupado com crises existenciais se amanhã tem parada gay? logo agora que as spice voltaram? manem morta, bee!

segunda-feira, 11 de junho de 2007

enquanto isso, dou voltas

você não sabe o que fiz para esquecer que estou só. vi pessoas que não via há tempos, fui a shows desconhecidos, bebi sozinho trancado no quarto, esperando que você ligasse. dei voltas e voltas na cidade. procurei tua forma nas fumaças da fábrica. procurei minha volta nas fábricas de fumaça. fui na favela e voltei. fiz pactos inquebráveis. até rir de você já ri. busquei encontrar nessa casa algum canto que nao tivesse teu cheiro.
e enquanto o sucesso de minha empreitada não vem, fico aqui, dando voltas com palavras enquanto faço compressas de camomila nas olheiras.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

pensamento randômico

_se todo mundo é mesmo gay, o mundo está na minha mão?
_existe casamento gay tradicional?
_sonhos podem acontecer ao mesmo tempo com duas pessoas?
_estou mesmo no caminho certo?
_faço o pé amanhã ou deixo pro fim de semana?

quarta-feira, 30 de maio de 2007

a quem gripou


eu não vou parar de cuidar. vou servir o chá na cama. checo sua temperatura, vejo se o corpo aiinda funciona. checo batimentos cardíacos, inanimados instrumentos de imprecisão.
estou mole, você diz, com o dengo de uma criança no colo. te abraço com as mãos geladas sobre sua pele quente, desajeitado, com medo de te machucar ainda mais.
confiro seu termômetro, seu humor, seu bem estar, e volto para minha vida cibernética, que ainda naõ tem nenhum tipo de basctéria espirrenta.

terça-feira, 29 de maio de 2007

ponteiros


giro a casa procurando minutos perdidos, fragmentos escondidos debaixo de livros de filosofia, estética e política indígena. marco passos vagarosos, movo lentamente em cada tique taque, subo e desço em minha órbita. você vem logo atrás, com sua preguiça que se arrasta por horas e horas. eu marco o tempo de cozimento, o horário dos seriados, o quanto você usa a internet. você marca a hora de jantar, as datas de compromisso, os dias que faltam para o mês acabar.
eu, no auge da minha pressa, corro. corro em minutos. levo sessenta até te encontrar. você, se senta a me esperar, sobre as horas que giram, giram sem parar. um outro segundo pode até escapar, nós o engolimos e continuamos nosso tiquetaquear.
perecíveis segundos.
apressados minutos.
santificadas horas.

mais uma vez desço para dar corda neste cuco desgovernado.

lazy days


é só mais um dia onde acordo com mais um céu nublado de inverno. as janelas tremem sob o vento, enquanto a leitera pia com o café e o cigarro do meu desjejum. tudo está no mesmo lugar. o pó sob os móveis e você sobre a cama, esperando a febre passar.
mas por favor, não abandone nossas tardes de preguiça, suas idas à academia, e suas reclamações sobre minha bagunça.
vai, caia em profundo sono, leve sua mente onde jamais imaginou. espante o medo, e sopre meus sonhos.
só não esqueça de deixar lá todos os indícios de um inverno entre nós.

domingo, 27 de maio de 2007


compartilhando minha tosse contigo nesses dias frios, acabei te fazendo ficar como eu. não tão intenso, não tão passional, mas com comportamento parecido. não sei tanto de você trouxe até aqui, nem quanto de mim pode absorver. não importa tanto assim, no fundo. o olhar é o que vai primeiro, e quando passamos, todos notam o ar de cumplicidade no ar. e nós erguemos nossa bandeira.


atravessar calçadas nas bandas de cá no mesmo ângulo, e atravessar ruas nos mesmos pontos. enquanto eu não sei tirar a bagunça, você sopra a poeira pra baixo da cama, da estante da sala, para as teclas do computador, enquanto empilho pratos sujos.


não me parece tão natural assim esse agir por osmose, mas resultado do atrito da água sobre as rochas das encostas que, vindo a calhar, é mais válido que o fingir. é querer compartilhar.


hoje vejo você mais perto. hoje vejo você ao lado, me esperando para dormir. hoje me vejo melhor no espelho. hoje te vejo me ajudar a conseguir. hoje eu já posso ver onde minha mão vai. hoje te vejo aqui, e consigo até ir ao banheiro de porta aberta.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

a madrugada mais fria do ano



na noite fria você entrou, dizendo tudo que eu havia de querer ouvir, afastou o vento e ligou a climatização. abraçou-me, falou ao ouvido, serviu-me quando tinha fome. tocou-me, aqueceu-me, beijou-me, afagou-me, embalou meu sono através das horas de hécate. fechou a persiana, protegeu-me das primeiras saraivadas de sol enquanto eu tentava escalar teu mundo e ser só mais um deus daquele quarto apagado, daquela cama aquecida, daquele cheiro adocicado que pairava. meu beijo, como se fosse a última vez. os corpos trêmulos do frio se tocam, tutibeantes, mas sem medo de ser o que deve.
e enquanto eu descansava meu mundo de auto degradação sobre seu peito, partiu atrasado para o trabalho, esquecendo de deixar um beijo de bom dia e um café na xícara.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

after poo

você já enfiou o pé na jaca? nós também. e adoro repetir a façanha sempre que posso. mas às vezes, você passa tanto tempo sem uns gorós, que esquece dos efeitos do alcool sobre o corpo. e é exatamente aí que se caga toda.
ontem fui tomar umas cervejas com amigos divertidos recém conhecidos da rua de cima, e cá estou, no meu after poo, sem voz, com gripe e dores musculares. depois do alcool, minhas articulações alongaram e meus músculos passaram a responder de forma não humana. tudo em cima da cama. quase o homem-aranha.
ontem aranha, hoje mosca no mel. afoguei, mas que delícia que é.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

tô realmente cagada

e tudo conspira de novo. você não quer nada, briga e ainda acha razão pra tudo. eu levo a vida surfando em marolas, querendo aproveitar o momento e esperando um futuro melhor. você quer que tudo acabe em um segundo mortal. eu quero jogar as cartas fora, e você não deixa. pega meu baralho, esconde na tua estante, por um instante você pode se sentir dono do jogo. eu estou juntando outros naipes descartáveis pelas ruas da cidade andam jogados. quem sabe um dia um outro jogo possa desenrolar e um dia eu possa, sei lá, só relaxar.
era tão bom, quando sentávamos fascinados na beira, esperando a água molhar os pés. rindo de qualquer besteira, de um nariz com sorvete, de um por-do-sol cinzento. e falar de boca cheia, escalar pedras, ver a vida passar sobre a lagoa... mas há tantas manchas nessa história, tantas canetas estouradas no diário perfeito...
a culpa é minha, devo ter a mão trêmula...

domingo, 20 de maio de 2007

precisamos de um layout. alguém?
um dia ainda pego sua mão e te levo pra conhecer tudo que sinto. verá que tudo que foi pisado ainda vive, e tudo que foi esquecido ainda se lembra. esquecerá que o umbigo é grande e lembrar que o coração assim também é, enquanto uns indagam, outros se posicionam.
ainda tem muito mar, ainda tem muita estrela, daqui não tenho ainda noção. há filas e índios, todos correndo na beira, todos estendendo a mão, pedindo amor de nós.
a mão estendida levanta minha tanga, me tira o que me resta e corre, mata adentro, atrás de paraísos canários. outros cenários. aqui, nada gira como eu quero. nada roda como a dança do pierrot.
e eu livrei essa cara limpa. peguei mais uma dose, virei, e aprendi que maquiagem também protege e hidrata a pele.
porque eu tô toda cagada mesmo!