observe as calhas, curvam-se a cada tiquetaquear de gotas. acumulam poeira trazida pelo vento. guardam dentro de seus dutos uma história daqui e do outro lado da rua, do bairro, quem sabe do país? vai juntando, e perdendo detalhes, deformando conforme se pesa. cada junta já não é mais a mesma. olhe dentro das calhas, tudo aquilo que juntou de uma história de retalhos desconexos em sua mente, mas que faz uma lógica mecânica funcionar com uma maestria doentil. e observando o seu reflexo nos restos da chuva da noite passada, pode ver que perder o fio da meada pode ser tão fácil quanto perder a própria carteira dentro do seu quarto.
o que sai por meu gargalo hoje não é a metade da história, mas as sobras da noite passada. o que sai pela boca dos canos é o que não dá mais para segurar nas ranhuras impermeáveis. o que jorra e é guiado para as sargetas da praça é o que veio da sua camisinha usada, suja por alguém que nunca mais vi, do meu corpo suado por alguém tocado uma só vez, uma voz que nunca acordou nenhum de nós.
o que me transborda? os documentos que precisarei tirar nova via.
Um comentário:
Sexo verbal faz meu estilo... E não eh que no final vão parar nas mesmas calhas... Canalhas.... Cacete... Caramba....
Bjos
Ig
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