sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

sei que preciso te amar calado
e viver poemas de fora pra dentro
e ficar atento a cada momento
para não mostrar o sentimento errado

só sou explícito quando disfarço
nessa bagunça de sentimento
e há tanto ainda que não entendo
que sem entender eu somente calo

e o medo é só minha cria fraca
e meu devaneio é razão segura
minha objeção é marca do tempo

e o nosso amor é a dupla faca
que sem me tocar ainda perfura
o bater no peito que não compreendo

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

eu te amo, e sinto muita falta do que outrora fomos, mas toda essa confusão há de passar. não pararei meu caminhar pelo simples prazer de ser sua sombra, mesmo não deixando sumir as pegadas que deixo. não quero exaltar a carcaça do que outrora foi nosso amor, é apenas a saudade que me deixa fraco ao ponto de cair aos seus pés. tenho plena consciência do que vim a ser com os dias... que grande bobagem fizemos nós. que grande bobagem fizemos nós quando nos tornamos esses dois monstros a assombrar a vida dos que mais queremos bem. sempre direi que te amo, sempre direi que sou teu espelho, porque no fundo sabes que somos apenas dois no formato de um. e como amamos, e como cantamos felizes noites e noites adentro. mas cansou voc~e, agora canso eu. eu te amo, e sinto muita falta do que outrora fomos.

madrugadas telefônicas

sejamos sinceros: ninguém quer voltar a olhar para trás. nós dois já nos machucamos demais entre as idas e vindas da nossa insanidade, já nos perdemos demais entre cheiros e toques, para macular a pureza do que sentimos. e somente eu e você sabemos o quanto sentimos, o quanto sofremos, o quanto amamos. ninguém vai poder dizer que foi perfeito, ninguém vai poder dizer que foi ingênuo. somente nós.
eu não sabia por onde começar a caminhar quando nossos pés se desencontraram, a cama estava em outro canto do quarto, as caixas de madeira empilhadas em outro cômodo. ninguém sabia o que significava aquela colcha pendurada na janela, aquele espelho amarrado ao armário do banheiro. ninguém viu o desenho coberto pela tinta fresca, os arranhões nas paredes, o desespero acumulado em cada canto da casa.
não, não voltaremos a olhar para trás, pois foi tudo lindo e intenso enquanto restava a esperança de sermos o um-só que nunca poderia existir, nem ansiaremos por um futuro reencontro. seguiremos em frente, e quase sem guardar rancor olharemos para o outro lado da rua, a observar o que não veio.

madrugadas telefônicas

sejamos sinceros: ninguém quer voltar a olhar para trás. nós dois já nos machucamos demais entre as idas e vindas da nossa insanidade, já nos perdemos demais entre cheiros e toques, para macular a pureza do que sentimos. e somente eu e você sabemos o quanto sentimos, o quanto sofremos, o quanto amamos. ninguém vai poder dizer que foi perfeito, ninguém vai poder dizer que foi ingênuo. somente nós.
eu não sabia por onde começar a caminhar quando nossos pés se desencontraram, a cama estava em outro canto do quarto, as caixas de madeira empilhadas em outro cômodo. ninguém sabia o que significava aquela colcha pendurada na janela, aquele espelho amarrado ao armário do banheiro. ninguém viu o desenho coberto pela tinta fresca, os arranhões nas paredes, o desespero acumulado em cada canto da casa.
não, não voltaremos a olhar para trás, pois foi tudo lindo e intenso enquanto restava a esperança de sermos o um-só que nunca poderia existir, nem ansiaremos por um futuro reencontro. seguiremos em frente, e quase sem guardar rancor olharemos para o outro lado da rua, a observar o que não veio.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

por te amar num susto

um friozinho na pele e uma saudade que embrulha o estômago me levantaram às sete da manhã sem nenhum motivo. três horas antes do primeiro compromisso me deram tempo para pensar no presente e no futuro, e ver que o mundo me reservou as melhores minas preciosas da temporada. se não tivesse eu perdido nesse mundo transloucado, onde levariam-me essas botas, que estradas me esperariam?
mas só de lembrar meu cheiro em teu cobertor, sua letra nos meus cadernos, minhas marcas entrecobertas por teus pêlos, gira meu sangue sob a pele!

terça-feira, 19 de abril de 2011

odeio a aflição da falta de quando você não está!
e odeio esperar! odeio esperar!
odeio essas tardes que pretendem não ser
e essa sensação fria
essas falta de prazer
odeio ser frágil onde me esperam grande
e espontâneo quando me querem comedido
mas sou assim, partes
cheios, vazios e intervalos
e o que seria eu se não o fosse?

segunda-feira, 18 de abril de 2011

soneto distante

quisera eu montar as linhas
das pontes reversas que se cruzam
e das encruzilhadas frias que separam
o meu caminho e o que te levas.

queria eu apagar contornos
desmatar selvas de prédios espelhados
e cuspidores de fumaça que entopem vias
todas essas curvas, todos os afrescos

criaria via única, expressa
uma ponte ou trem bala
que cruzasse os rios do meu rio.

pista plana em linha reta
deixe a janela aberta
que eu vou te dar boa noite.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

eu e eu mesmo

Eu que sou eu mesmo e nada mais
quero ser além disso
Eu que de nada sei
sabendo somente quem não quero ser
Eu, parte inteira do que me resta
do que outrora queria
serei o que hoje quero
Eu, que já nem sei quem sou só
mais eu mesmo
e menos ninguém
Eu, que só quero amor e flores
não sou dos tesouros
do seu frio ouro
Eu, que não quero aparente
não quero o presente
só quero a paz
Eu que não te vejo mais
que não sei onde jaz
aquele velho padrão
Eu que esmaeço no dia
que ardo na noite
que rolo em colchão
Eu que na terça parte
me acordo no alarde
de quem nunca fui

Eu, primeira pessoa.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

eis que o dia sempre acaba em noite
como a noite pode acabar em dia
e os novos sons, já não sei se são
novos passageiros pela minha vida

eis que a luz sempre acaba escura
cubro minha janela pra ela não entrar
quando a luz do sol morre no horizonte, longe
dá a impressão de nunca mais voltar

e só.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

descaso!

Sei que não costumo falar de política por aqui, mas não posso deixar de expor minha indignação com essa política internacional do "não vejo". Todo mundo sabe do desrespeito aos direitos humanos existente no oriente médio, dos governos autoritários, censura, desrespeito à mulher e às crianças, mas até hoje nenhuma grande potência se manifestou de fato. Estados Unidos só tentaram levar a democracia aonde é conveniente economicamente, mas ninguém intervém, por exemplo, nos mandos e desmandos de El Abidine, Mubarak, Saleh, Jong-il e tantos outros que levam seu povo no cabresto. Graças às novas ferramentas de comunicação, estamos entrando numa era onde a coletividade fala mais alto, o que pode ser visto nas ruas do Cairo essa semana.
O que digo não é um caso isolado, do outro lado do mundo, que nada tem a ver conosco. Vale ressaltar que nosso querido (ou não) ex-presidente Lula já se intitulou "a própria opinião pública", mas o que mais me intriga é a total falta de consistência nas declarações feitas até agora tanto por parte dos EUA quanto da União Européia. E a crise não pára, a crise só aumenta, e o que inicialmente era uma manifestação pacífica (até anteontem até as crianças estavam nas ruas), em 24h já acumula 3 mortos e 600 (de acordo com o governo) a 1.500 (de acordo com os médicos) feridos. Pelo andar da carruagem, até os faraós vão se manifestar primeiro!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

domingo, 30 de janeiro de 2011

sabe que faz sentido?!
sabe que nem faz sentido?!
sabe que é ilegal?!
sabe que é incontrolável?!
sabe que é instintivo?!
sabe que é viceral?!
sabe que é ilegítmo?!
sabe que é parte de mim?!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

cinquenta graus

re
con
fi
gu
ran
do
tarde sem nuvem
sem pluma que voa
estamos no topo
da escala global
calotas derretem
polares sorvetes
sob o sol carioca
e meus cinquenta graus
re
a
que
ci
men
to
microondas divino
da cabeça aos gases
dos buracos de ozônio
de camadas singulares
erguendo exércitos
destruindo degetos
escolhas inconscientes
de suicídio em massa
re
cons
ci
en
ti
za
ção

glo
bal

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

subi querendo descer
escrevi querendo dizer
fui querendo não ser
e enfim, ainda caminho

achei querendo perder
ganhei querendo encontrar
brinquei querendo fugir
parti sem nunca chegar

mas deixei no varal
as lembranças secas do objetivo
e num traço não tão acertivo
risquei listas, construí caminhos

e nesses córregos por mim criados
rasgada a confusão desses traços
o caminho e a fossa lado a lado
dessa irregular linha reta do tempo
hoje acordei com saudade, típica saudade daqueles que deixam vidas para trás e alcançam vidas para frente, pelo meio, em todos os passos dados e mau dados. senti falta das bagunças que nunca mais vi, das regalias daqueles que cuidaram de mim, do cheiro do seu primeiro feijão. e se não for suficiente simplesmente amar quem está lá, amo o passado como parte do que me faz hoje ser único de raízes fincadas nas núvens que cortam meus céus, nas águas dos rios que rasgam meu solo, no solo que marca minha estrada. mas aqueles desenhos que minhas núvens faziam no céu, de meus rios se encontrando e entrecortando, de minhas estradas de chão batido, já não me são familiares.
alguém, por favor, me mostre o caminho para todos os meus tempos?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

não quero!

não quero te ver
não quero te ler
não quero entender
não quero saber
não quero querer
não quero pensar em você!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

nem te quero mais

eu achei fraco o seu olhar
e quis de novo
achei amargo o teu beijo
e pedi outro
não quis sentir mais teu querer
e quis teu corpo
eu não queria amar você
e amei em dobro

eu que cruzei outros caminhos
te relembrei
nos corpos até de outro gênero
te achei
e me taquei na noite até
os raios da sua manhã
eu que já nem te quero mais
te desejei

será que nem toda lonjura
vai fazer parar
esse tremer de mãos que tenho ao te encontrar?
e esse sorriso que hoje não é para mim
será que se eu desejar, vai ver o fim?