sexta-feira, 11 de novembro de 2011

madrugadas telefônicas

sejamos sinceros: ninguém quer voltar a olhar para trás. nós dois já nos machucamos demais entre as idas e vindas da nossa insanidade, já nos perdemos demais entre cheiros e toques, para macular a pureza do que sentimos. e somente eu e você sabemos o quanto sentimos, o quanto sofremos, o quanto amamos. ninguém vai poder dizer que foi perfeito, ninguém vai poder dizer que foi ingênuo. somente nós.
eu não sabia por onde começar a caminhar quando nossos pés se desencontraram, a cama estava em outro canto do quarto, as caixas de madeira empilhadas em outro cômodo. ninguém sabia o que significava aquela colcha pendurada na janela, aquele espelho amarrado ao armário do banheiro. ninguém viu o desenho coberto pela tinta fresca, os arranhões nas paredes, o desespero acumulado em cada canto da casa.
não, não voltaremos a olhar para trás, pois foi tudo lindo e intenso enquanto restava a esperança de sermos o um-só que nunca poderia existir, nem ansiaremos por um futuro reencontro. seguiremos em frente, e quase sem guardar rancor olharemos para o outro lado da rua, a observar o que não veio.

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