eu não sabia por onde começar a caminhar quando nossos pés se desencontraram, a cama estava em outro canto do quarto, as caixas de madeira empilhadas em outro cômodo. ninguém sabia o que significava aquela colcha pendurada na janela, aquele espelho amarrado ao armário do banheiro. ninguém viu o desenho coberto pela tinta fresca, os arranhões nas paredes, o desespero acumulado em cada canto da casa.
não, não voltaremos a olhar para trás, pois foi tudo lindo e intenso enquanto restava a esperança de sermos o um-só que nunca poderia existir, nem ansiaremos por um futuro reencontro. seguiremos em frente, e quase sem guardar rancor olharemos para o outro lado da rua, a observar o que não veio.
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