quinta-feira, 22 de abril de 2010
veja bem meu bem, as minhas pegadas ainda estão naquela parte da praia que costumávamos sentar, noite após noite, esperando o sol nascer, totalmente entorpecidos em tudo. a mensagem que costumávamos ler na mesa da praça continua rabiscada por cima do liquid paper continua visível em seus erros de português, e o número que ligávamos toda sexta feira continua o mesmo. ninguém mexeu em nada do cenário, em nada das vias expressas, em nada do movimento marginal. o que foi destruído é exatamente o que não se mostra, que você deixou claro que não mexeria em você, e fez questão de mexer em mim. deixo na sua caixa de correio as contas das noites que passamos juntos, os históricos que denunciam nossa má conduta e aquela coisa morna e ingênua que você fez questão de desgastar.
carol don't lie
hoje, quando o silêncio parou por completo, meu quarto parecia brasa. as fichas se espalhavam pelo chão, os cartões sobre a mesa, o pó sobre tudo. o vento sopra e o silêncio se espalha, faz voar todas as palavras e as batidas da música que não toca os ouvidos. as fotos me olham de rabo de olho, esperando a reação dos meus impulsos mais que nervosos. tudo parado, e o silêncio a soprar as ruas apinhadas de gente, a festa de bairro, os inferninhos da lapa. alguém diz que o som volta a rondar as pedras do arpoador, mas nada ouço além das fotos queimadas sopradas sobre o chão e dos cartões sendo batidos sobre a mesa cheia de pó.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
confessional II
a maior objeção que tenho a fazer é sobre o momento. não que eu esperasse durar para sempre, não é isso. o que acontece é toda a cena que antecede o fim. talvez eu até tenha, por alguns instantes, idealizado várias coisas sobre você, mas só por instantes, pois você sempre fez questão de destruir qualquer imagem equivocada mostrando exatamente como a coisa funcionava em você. e eu estava em pleno processo de compreenção quando a linha foi cortada.
nunca foquei naquelas coisas que poderiam fazer não dar certo, mas sempre fiz questão de me concentrar no que me encanta, no que me faz preso. eu sei que uma avalanche de fatos soterrou sua bem intencionada tentativa, mas nunca me detive nessas míseras pedrinhas. não que o passado não seja tão importante assim, mas a cena que precede os últimos fatos foi tão especial, e eu me sentia tão feliz... não sei hoje como deixar isso passar.
o fato é que, até mais que os furtivos beijos de despedida e os carinhos roubados enquanto as ruas estavam desertas, sinto mesmo é falta da sua presença nos momentos mais triviais do nosso cotidiano. quantas vezes até mesmo você sentia vontade de me ligar antes de pedir o macarrão? mas este desejo já não era maior que o seu, nem tão grande quanto o meu, medo de pegar o telefone. e quantas vezes também eu, como você, me apavorava em ver aquele nome no visor do celular?
e até agora, toda essa bobagem leva a um universo de incertezas por onde ir qual caminho devo pegar seu gato mesmo sem ter certeza de onde quero chegar. mas infelizmente, hoje não tem você pra me ajudar a nos encontrar no mapa.
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