quarta-feira, 30 de maio de 2007

a quem gripou


eu não vou parar de cuidar. vou servir o chá na cama. checo sua temperatura, vejo se o corpo aiinda funciona. checo batimentos cardíacos, inanimados instrumentos de imprecisão.
estou mole, você diz, com o dengo de uma criança no colo. te abraço com as mãos geladas sobre sua pele quente, desajeitado, com medo de te machucar ainda mais.
confiro seu termômetro, seu humor, seu bem estar, e volto para minha vida cibernética, que ainda naõ tem nenhum tipo de basctéria espirrenta.

terça-feira, 29 de maio de 2007

ponteiros


giro a casa procurando minutos perdidos, fragmentos escondidos debaixo de livros de filosofia, estética e política indígena. marco passos vagarosos, movo lentamente em cada tique taque, subo e desço em minha órbita. você vem logo atrás, com sua preguiça que se arrasta por horas e horas. eu marco o tempo de cozimento, o horário dos seriados, o quanto você usa a internet. você marca a hora de jantar, as datas de compromisso, os dias que faltam para o mês acabar.
eu, no auge da minha pressa, corro. corro em minutos. levo sessenta até te encontrar. você, se senta a me esperar, sobre as horas que giram, giram sem parar. um outro segundo pode até escapar, nós o engolimos e continuamos nosso tiquetaquear.
perecíveis segundos.
apressados minutos.
santificadas horas.

mais uma vez desço para dar corda neste cuco desgovernado.

lazy days


é só mais um dia onde acordo com mais um céu nublado de inverno. as janelas tremem sob o vento, enquanto a leitera pia com o café e o cigarro do meu desjejum. tudo está no mesmo lugar. o pó sob os móveis e você sobre a cama, esperando a febre passar.
mas por favor, não abandone nossas tardes de preguiça, suas idas à academia, e suas reclamações sobre minha bagunça.
vai, caia em profundo sono, leve sua mente onde jamais imaginou. espante o medo, e sopre meus sonhos.
só não esqueça de deixar lá todos os indícios de um inverno entre nós.

domingo, 27 de maio de 2007


compartilhando minha tosse contigo nesses dias frios, acabei te fazendo ficar como eu. não tão intenso, não tão passional, mas com comportamento parecido. não sei tanto de você trouxe até aqui, nem quanto de mim pode absorver. não importa tanto assim, no fundo. o olhar é o que vai primeiro, e quando passamos, todos notam o ar de cumplicidade no ar. e nós erguemos nossa bandeira.


atravessar calçadas nas bandas de cá no mesmo ângulo, e atravessar ruas nos mesmos pontos. enquanto eu não sei tirar a bagunça, você sopra a poeira pra baixo da cama, da estante da sala, para as teclas do computador, enquanto empilho pratos sujos.


não me parece tão natural assim esse agir por osmose, mas resultado do atrito da água sobre as rochas das encostas que, vindo a calhar, é mais válido que o fingir. é querer compartilhar.


hoje vejo você mais perto. hoje vejo você ao lado, me esperando para dormir. hoje me vejo melhor no espelho. hoje te vejo me ajudar a conseguir. hoje eu já posso ver onde minha mão vai. hoje te vejo aqui, e consigo até ir ao banheiro de porta aberta.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

a madrugada mais fria do ano



na noite fria você entrou, dizendo tudo que eu havia de querer ouvir, afastou o vento e ligou a climatização. abraçou-me, falou ao ouvido, serviu-me quando tinha fome. tocou-me, aqueceu-me, beijou-me, afagou-me, embalou meu sono através das horas de hécate. fechou a persiana, protegeu-me das primeiras saraivadas de sol enquanto eu tentava escalar teu mundo e ser só mais um deus daquele quarto apagado, daquela cama aquecida, daquele cheiro adocicado que pairava. meu beijo, como se fosse a última vez. os corpos trêmulos do frio se tocam, tutibeantes, mas sem medo de ser o que deve.
e enquanto eu descansava meu mundo de auto degradação sobre seu peito, partiu atrasado para o trabalho, esquecendo de deixar um beijo de bom dia e um café na xícara.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

after poo

você já enfiou o pé na jaca? nós também. e adoro repetir a façanha sempre que posso. mas às vezes, você passa tanto tempo sem uns gorós, que esquece dos efeitos do alcool sobre o corpo. e é exatamente aí que se caga toda.
ontem fui tomar umas cervejas com amigos divertidos recém conhecidos da rua de cima, e cá estou, no meu after poo, sem voz, com gripe e dores musculares. depois do alcool, minhas articulações alongaram e meus músculos passaram a responder de forma não humana. tudo em cima da cama. quase o homem-aranha.
ontem aranha, hoje mosca no mel. afoguei, mas que delícia que é.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

tô realmente cagada

e tudo conspira de novo. você não quer nada, briga e ainda acha razão pra tudo. eu levo a vida surfando em marolas, querendo aproveitar o momento e esperando um futuro melhor. você quer que tudo acabe em um segundo mortal. eu quero jogar as cartas fora, e você não deixa. pega meu baralho, esconde na tua estante, por um instante você pode se sentir dono do jogo. eu estou juntando outros naipes descartáveis pelas ruas da cidade andam jogados. quem sabe um dia um outro jogo possa desenrolar e um dia eu possa, sei lá, só relaxar.
era tão bom, quando sentávamos fascinados na beira, esperando a água molhar os pés. rindo de qualquer besteira, de um nariz com sorvete, de um por-do-sol cinzento. e falar de boca cheia, escalar pedras, ver a vida passar sobre a lagoa... mas há tantas manchas nessa história, tantas canetas estouradas no diário perfeito...
a culpa é minha, devo ter a mão trêmula...

domingo, 20 de maio de 2007

precisamos de um layout. alguém?
um dia ainda pego sua mão e te levo pra conhecer tudo que sinto. verá que tudo que foi pisado ainda vive, e tudo que foi esquecido ainda se lembra. esquecerá que o umbigo é grande e lembrar que o coração assim também é, enquanto uns indagam, outros se posicionam.
ainda tem muito mar, ainda tem muita estrela, daqui não tenho ainda noção. há filas e índios, todos correndo na beira, todos estendendo a mão, pedindo amor de nós.
a mão estendida levanta minha tanga, me tira o que me resta e corre, mata adentro, atrás de paraísos canários. outros cenários. aqui, nada gira como eu quero. nada roda como a dança do pierrot.
e eu livrei essa cara limpa. peguei mais uma dose, virei, e aprendi que maquiagem também protege e hidrata a pele.
porque eu tô toda cagada mesmo!