Apagarei meus pesadelos a lápis com uma borracha especial, incalculáveis efeitos colaterais. Vou passar a brisa por uma cabeça de agulha, reprimir e comprimir o vento, para que tudo gire para mim, tudo sopre em meu favor. vou pegar uma fita vermelha e amarrar um coração sem crina, sem rédeas ou arreios, e com a magia das antigas sábias, domesticar a fera sob a lua cheia.vou soprar as estrelas noCéu, redistribuindo-as conforme minha vontade. Vou mudar a cor das florestas e o fluxo das águas. Fiat lux. Sol azul turquesa. Quarenta graus. Verão? Renascimento. A roda mais uma vez dá à luz, mas só para os que conseguem iluminar-se.
Obrigado a Tamara, por guardar o texto para mim.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
no final, eu grito
amarrando em postes divido e distribuo, agressivamente, todo meu ódio. tentando despistar sua perseguição, atiro para trás sem olhar, para os lados como precaução, para frente para abrir caminho. bombas de insanidade eu jogo, desejando acertar a todos, inclusive a mim. explode em mil tons de vermelho, matizes de corres quentes para queimar o seu desejo de vir atrás, por mais que os caminhos sejam trocados para te perder. e os ancoradouros não param de sumir na névoa, cada dia mais turva pela falta de direção.
escalo montes que não sei onde dão, mas procuro subir com todo afinco e vontade que posso reunir. centenas de microesferas de água caem sobre minha cabeça e me afogam na tempestade de pensamentos aleatórios que costumava me fazer doente, e que hoje me movem para lugar algum, mais uma vez machucado pelos atos alheios.
tentando acender meu cigarro na chuva eu caio, mais uma vez, na tentação do impossível. por onde trilhar, mais uma vez não sei.
escalo montes que não sei onde dão, mas procuro subir com todo afinco e vontade que posso reunir. centenas de microesferas de água caem sobre minha cabeça e me afogam na tempestade de pensamentos aleatórios que costumava me fazer doente, e que hoje me movem para lugar algum, mais uma vez machucado pelos atos alheios.
tentando acender meu cigarro na chuva eu caio, mais uma vez, na tentação do impossível. por onde trilhar, mais uma vez não sei.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
atrás de ti
é muito fácil me encontrar pela sua vida, basta olhar na fresta da porta do seu quarto, enquanto troca de roupa ou cola sorrateiramente aquele chiclete atrás do armário. brinca que não me vê espiando suas sonecas, seus passeios pela cidade, suas barberagens no trânsito. mas sabe muito bem que assisto tudo de mais perto que imagina. sopro teu chapéu pra longe, só para te ver correndo feito bobo pelas ruas, e você finge não ouvir minha risada com olhar de pesar.
mas eu sempre estive aqui, e você finge que não vê meu nome gravado no identificador de chamadas, nos telegramas que te abarrotam, na caixa de emails já esquecida, guardando suas fotos todo dia revistas e as frases todo dia repassadas.
mas se não me queres, meu bem, não corra. olhe nos meus olhos e dê pelo menos o primeiro beijo, pois no instante que nossas peles descolarem, já saberei que é a hora do adeus.
mas eu sempre estive aqui, e você finge que não vê meu nome gravado no identificador de chamadas, nos telegramas que te abarrotam, na caixa de emails já esquecida, guardando suas fotos todo dia revistas e as frases todo dia repassadas.
mas se não me queres, meu bem, não corra. olhe nos meus olhos e dê pelo menos o primeiro beijo, pois no instante que nossas peles descolarem, já saberei que é a hora do adeus.
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