a maior objeção que tenho a fazer é sobre o momento. não que eu esperasse durar para sempre, não é isso. o que acontece é toda a cena que antecede o fim. talvez eu até tenha, por alguns instantes, idealizado várias coisas sobre você, mas só por instantes, pois você sempre fez questão de destruir qualquer imagem equivocada mostrando exatamente como a coisa funcionava em você. e eu estava em pleno processo de compreenção quando a linha foi cortada.
nunca foquei naquelas coisas que poderiam fazer não dar certo, mas sempre fiz questão de me concentrar no que me encanta, no que me faz preso. eu sei que uma avalanche de fatos soterrou sua bem intencionada tentativa, mas nunca me detive nessas míseras pedrinhas. não que o passado não seja tão importante assim, mas a cena que precede os últimos fatos foi tão especial, e eu me sentia tão feliz... não sei hoje como deixar isso passar.
o fato é que, até mais que os furtivos beijos de despedida e os carinhos roubados enquanto as ruas estavam desertas, sinto mesmo é falta da sua presença nos momentos mais triviais do nosso cotidiano. quantas vezes até mesmo você sentia vontade de me ligar antes de pedir o macarrão? mas este desejo já não era maior que o seu, nem tão grande quanto o meu, medo de pegar o telefone. e quantas vezes também eu, como você, me apavorava em ver aquele nome no visor do celular?
e até agora, toda essa bobagem leva a um universo de incertezas por onde ir qual caminho devo pegar seu gato mesmo sem ter certeza de onde quero chegar. mas infelizmente, hoje não tem você pra me ajudar a nos encontrar no mapa.
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