quinta-feira, 20 de março de 2008

para o 22...

palavras estouram contra minha guarda, que por mais fechada, deixa respingar em mim tudo que não quero. gritos de não quero mais ecoam.
idéias que não permiti me brotam, mesmo adubando a terra com cal. arrependimentos batem sem som de passos.
o tempo meio que congela, entre o ato inicial até a compreensão, leva-se alguns segundos para processar. minutos que parecem horas, que tensionam o ar, congelam tudo que se mexe. não respira.
listas e nervosismos cobrem a mesa e a área de trabalho, roem unhas, afundam o gesso ainda fresco, deixam marca no piso encerado por onde quer que corra agoniado. as bitucas de cigarros amontoam-se sobre os móveis, em cinzeiros lotados, sobre papéis amassados, potinhos de iogurte.
e as palavras, o "não" confirmado, os amores de longe, tão incompreendidos e enraizados, quebram no meu peito esse delicado cálice de um dia pode ser.
quebram a vontade, mas deixam uma ponta de remorso em cada caco jogado sobre a madeira brilhosa do chão.

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