sinto as nuvens chocando-se umas contra as outras, pesando em chuvas que formam cascatas toda a força da noite em pleno vapor, aqueles risos aditivados que vinham nem lembro mais de onde e a falta de pudores em rasgar todos os véus somente para saciar a vontade de ver além fazia com que nós, do escuro desconhecido e dessa distância do chão, desse lisérgico deserto onde vemos tanta gente que de nada existem, tropecemos uns nos outros, vendados pelos vapores escuros e por essa alegria tão naturalmente despertada quando os agentes de sabor do meu marlboro azul.
e mais uma vez nos perdemos em nossos próprios problemas, dissertando sobre quem deve receber mais atenção , de quem nem sabe da nossa história, nem entende o que se quer dizer quando nos aproximamos, e que certamente entende melhor que todos vocês juntos o que acontece entre cada vez que nos olhamos de perto.
talvez hoje eu até mesmo tente embrulhar a culpa, jogá-la na fogueira, e até mesmo fingir que sinto seu peso, já que tudo muda tanto o tempo todo que as variáveis já são constantes no nosso modo de ver as coisas. mas eu já não copio esse movimento ingrato de levantar o dedo para julgar os outros quando, só por achar alguém que concorde com você, acha que seus atos não deverão passar pela tribuna do juízo final. ter que deixar as coisas acontecerem é só mais uma forma de análise, pois essa posição passiva já é demais cansativa para me deixar de hiato durante meses.
e sabe, parando assim para analisar mais de perto os fatos, as coisas já não vêm mais se encaixando da forma que deveria, ou como costumava ser, ou melhor ainda como ainda costumava ser quando estávamos com essas vendas de vapor escuro, cada dia mais pesada venda, mais fortemente amarrada contra nossos olhos, , nossos chackras, nossas emoções. dá vontade de gritar às vezes bem alto em alto e bom som mais alto das auto induções que criamos a varias mãos e não percebemos que a verdade já se esgarçou a tal ponto que as suas tramas se confundem dentro da mesma caixa que hoje jogo no incinerador como forma de parar de analisar sentimentos que me cansam mais que.
Um comentário:
muito bom, hein
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