quinta-feira, 5 de junho de 2008

a bailarina

enquanto todos dizem quem sou, vou sendo quem quero ser o tempo que der. pois ser mil onde não há pluralidade é privilégio de poucos. vou arrancando nesse baile, todas as máscaras que criamos pra bailarina, esquecendo que seu par também se despe enquanto rodopia. sobre a pista que desliza, baila a grande troca de personas, como o virar de páginas em contos surreais. Vai se transformando naquilo que eles têm medo, transportando pra longe seus portos indecifráveis criados em você.
vá narrativa! vá guiando para longe toda gota de esperança em retorcer minha imagem como na cabeceira de quem mal vejo daqui do palco. troque meus plurais por uma ímpar idéia, singularidade artificial que impoem convenientemente sobre a lente.
ninguém viu que a bailarina, boneca de pano animada por seu par, olha frouxamente para o horizonte da platéia, com seu retorcido sorriso lateral, como que zombando da inocente platéia, que acredita ser ela a principal peça desse baile ficcional.

Um comentário:

Anônimo disse...

como vc cria essa atmosfera tão aderente e ao mesmo tempo tão imaginária ?

Lendo esse texto me senti dentro de uma caixinha de música, onde a bailarina baila lindamente.

Nando Schubach